Novo balanço para a 'Garota de Ipanema'

Reverenciar a música brasileira sem exagerar as características do país. Essa foi a ideia inicial do disco "Lado B", da pianista e cantora campineira Catina DeLuna, formada pela Unicamp, em parceria com o arranjador venezuelano Otmaro Ruiz, com quem é casada. Após finalizarem todas as etapas de uma produção independente, desde a gravação em estúdio próprio até a arte da capa, a dupla foi surpreendida com uma indicação ao Grammy Awards 2016 na categoria Melhor Arranjo, Vocal e Instrumental, pela versão de "Garota de Ipanema", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Renovar o clássico da bossa nova foi uma provocação, no bom sentido, de Catina para Ruiz. "Eu o desafiei a fazer um arranjo para 'Garota de Ipanema'. São tantas regravações dela que foi realmente um desafio fazer algo diferente, mas eu sabia que ele ia conseguir", contou a pianista.

A obra concorre ao lado de músicas como "Sue (Or In a Season of Crime)", com arranjos de Maria Schneider, famosa na voz de David Bowie. "Tem muita gente boa na premiação, então a indicação por si só já foi uma surpresa muito boa. Nada é impossível, mas não vai ser fácil ganhar", comentou Catina.

Essa indicação acontece exatamente 50 anos depois da canção original ter conquistado o Grammy na categoria Gravação do Ano, na qual também concorreram nomes como Barbra Streisand e The Beatles. A cerimônia de 2016 será no dia 15 de fevereiro, em Los Angeles.

Referências tupiniquins

"Lado B" foi o primeiro disco da cantora lançado nos Estados Unidos, onde mora atualmente. "Sou uma grande fã da bossa nova, é uma grande influência no que eu faço hoje. Mas também gosto muito dos gêneros do nordeste, do choro, do frevo, de tudo. E foi isso que buscamos colocar no CD", explicou Catina. O álbum dá nova vida a composições como "Contrato de Separação", de Dominguinhos, e "Encontros e Despedidas", de Milton Nascimento.

 

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